
Percepção.
E sensação.
Primeiro, eu percebo o mundo. Eu tenho a interpretação de tudo em minha mente. E com os ingredientes fornecidos pelos meus sentidos, faço uma sopa de letrinhas que dizem: “que gostoso”... ou então suspiram “que alívio”.
Mas eu também sinto o mundo. Como um rato em uma gaiola eu recebo seus choques sem poder reagir. Ele é tudo aquilo que eu não consigo ser, e tampouco, entender.
De um lado, eu sou meu próprio Deus. Do outro, sou dominado por uma entidade superior à mim, seja ela qual for.
Sendo meu próprio Deus, sou também o Deus de muitos. Tenho o poder para criar vidas e com elas posso fazer o que bem quiser. E é o que fazem os escritores. Eles criam seres destinados a fazer exatamente aquilo a que foram programados.
Eu adoro fazer isso. Criar uma vida para mim. Uma não, várias. Pessoas diferentes, que pensam e agem de formas completamente diferentes. Fazê-las interagir entre si, só pra ver no que vai dar. E olhar com atenção. Perceber as sensações em cada simples acontecimento, emocionar-me com a história que eu mesmo estou escrevendo. Ficar imaginando todas as formas sob as quais as pessoas poderão se emocionar.
Provocar emoções.
A sensação é maravilhosa. Vem banhada de um êxtase intelectual tremendo. É você conquistar o poder de, a partir de palavras, causar impactos nas mentes das pessoas que te escutam ou lêem.
E você pode escolher os impactos. Quero ver Fulano sentir medo! E conseguir! Quero ver Fulano apaixonado. Lá está ele, nas nuvens.
A sensação de poder é maravilhosa. Agora você vai sentir medo! E joga seu encanto. Lá está ela, toda apreensiva. Rói as unhas. Depois você para. E grita, alívio! Ela suspira.
Eu olho para meus personagens e chego até a sentir pena, pois são indefesos ante ao meu imenso poder.